O que a resposta a uma newsletter revela sobre as relações no marketing?


Esta não era a edição prevista para esta semana. Mas, depois de poucos dias, a nossa Newsletter: https://www.linkedin.com/newsletters/marketing-com-soul-7507095001395277824/ chegou a quase 400 assinantes. E eu senti que precisava interromper o calendário para falar sobre isso.
Não apenas pelo número. Mas pelo que ele representa. Cada nova adesão me fez pensar que existe uma necessidade real de conversar sobre marketing, tecnologia, negócios e liderança a partir de um lugar mais humano. E foi isso que fez com que esse número expressivo de pessoas, especialmente do marketing e do mercado automotivo, estivessem se inscrito para seguir.
Muitas pessoas se identificaram com o conteúdo da primeira edição. Algumas se conectaram com a discussão sobre Inteligência Artificial e relações de consumo. Outras com a própria proposta da M&S. Outras, talvez, com uma sensação que todos nós conhecemos: a de que estamos vivendo uma época cada vez mais eficiente, mas nem sempre mais próxima.
Essa resposta me confirmou algo que venho construindo há muito tempo: estamos prontas para falar novamente sobre a qualidade das relações.
Quando uma convicção encontra um conceito
Desde o início da minha carreira, sempre acreditei que marketing não poderia ser reduzido a campanhas, ferramentas ou mensagens, porque ele inegavelmente acontece nas relações.
Na forma como uma empresa escuta. Na maneira como responde. Na experiência que entrega. Na confiança que consegue construir. No brilho do funcionário falando dela... e na indicação do cliente que se conectou!
Eu praticava essa visão sem necessariamente ter uma formulação que a organizasse tecnicamente. Eu sempre gostei de estar em meio às pessoas, talvez por isso minha primeira formação seja de Relações Públicas, não é mesmo...
Até conhecer o conceito de Human-to-Human Marketing, o H2H. Tive a oportunidade de fazer uma formação diretamente com Philip Kotler. E essa experiência foi muito importante para mim porque deu nome, estrutura e legitimidade técnica a algo que eu já buscava praticar desde o início da minha trajetória.
O H2H parte de uma premissa simples, mas profundamente transformadora: empresas não se relacionam com empresas. Pessoas se relacionam com pessoas. Mesmo quando falamos de B2B. A formulação do H2H Marketing também amplia essa discussão ao tratar confiança, marca e relações como elementos centrais da gestão em ecossistemas cada vez mais conectados.
E isso aconteceu porque organizou tecnicamente uma convicção que já me acompanhava e fazia parte do que eu acreditava como uma profissional que "conectava" marcas e seus publicos que são... pessoas!
H2H não é apenas comunicação mais humana
Human-to-Human não significa simplesmente usar uma linguagem mais acolhedora, colocar pessoas nas campanhas ou substituir termos corporativos por frases mais emocionais. Ou seja, não é a romantização das relações que permeiam os negócios.
Isso pode fazer parte do processo, mas é insuficiente. H2H é uma mudança de perspectiva.
Essa mudança de conceito se baseia em entender que a empresa precisa ser pensada a partir das pessoas que participam da relação: os clientes; os colaboradores; os parceiros; os fornecedores; a liderança; a comunidade; o mercado e a sociedade.
É reconhecer que cada ponto de contato produz uma percepção e que a marca não é apenas aquilo que a empresa declara, mas especialmente o que as pessoas confirmam depois de interagir com ela.
Você já ouviu fala de inteligência relacional?
Inteligência relacional é a capacidade de compreender, construir e conduzir relações com consciência, contexto e intenção.
Ela envolve:
perceber o que está sendo dito e principalmente o que não está;
reconhecer emoções, necessidades e diferentes perspectivas;
adaptar a linguagem e a abordagem a cada situação;
saber quando falar, perguntar, acelerar ou simplesmente ouvir;
transformar contato em confiança e confiança em colaboração.
Não é apenas ser comunicativo ou “ter jeito com pessoas”. É entender que toda interação produz uma experiência e que essa experiência influencia decisões, vínculos, reputação e resultados.
No ambiente corporativo, inteligência relacional é o que permite que líderes, marcas, equipes e clientes se sintam verdadeiramente compreendidos, é saber lidar com pessoas sem perder de vista o contexto, o propósito e o impacto da relação.
O que a primeira edição me mostrou
A primeira edição da Marketing com Soul falava sobre tecnologia, pós-venda e a sensação de solidão que pode surgir quando a empresa automatiza a escuta. Mas a resposta que a newsletter recebeu também trouxe uma confirmação prática: as pessoas ainda querem se conectar com ideias que reconhecem como verdadeiras e com as quais se identificam.
Elas querem encontrar conteúdo que não trate negócios apenas como números. Que não trate pessoas apenas como consumidores. Que não trate tecnologia apenas como ferramenta de produtividade.
Existe espaço para falar de estratégia e, ao mesmo tempo, falar de humanidade. Existe espaço para discutir resultado sem abandonar as relações. Existe espaço para construir marcas mais relevantes sem abrir mão daquilo que nos torna humanos. E esse é o verdadeiro significado de uma newsletter chamada Marketing com Soul. Não falar apenas sobre marketing. Mas falar sobre tudo aquilo que dá sentido ao marketing.
Onde entra a inteligência relacional em tudo isso?
Se H2H é a visão de que empresas não se relacionam com empresas e pessoas se relacionam com pessoas, a inteligência relacional é a capacidade de transformar essa visão em prática.
Foi isso que essa newsletter me mostrou mais uma vez.
As tantas inscrições nos primeiros dias não representam apenas crescimento de audiência. Representam identificação. Pessoas encontrando, em um conteúdo sobre marketing, tecnologia e negócios, uma conversa que também falava sobre elas.
E essa é uma das expressões mais concretas da inteligência relacional: criar algo que não apenas informa, mas faz o outro se sentir compreendido. A tecnologia pode ampliar o alcance. O H2H orienta a relação. Mas é a inteligência relacional que dá profundidade, contexto e sentido a tudo isso.
Uma conversa que está apenas começando
A cada nova adesão, eu recebo um lembrete de que autoridade não se constrói apenas pela quantidade de pessoas que nos acompanham, mas através da qualidade da conexão que conseguimos estabelecer com elas.
E acredito que essa seja a parte mais bonita deste projeto: a newsletter nasceu para falar sobre relações e começou sendo construída por meio delas. É assim que marcas deixam de ser apenas nomes e passam a ocupar um lugar na vida das pessoas.
Em um mundo cada vez mais automatizado, a nossa maior vantagem será sempre continuar sendo capazes de criar vínculos verdadeiros. A tecnologia pode ampliar o alcance. Mas é a conexão que dá sentido ao que alcançamos.



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